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quinta-feira, 16 de abril de 2026



 Lição 3


A IMPACIÊNCIA NA ESPERA DO CUMPRIMENTO DA PROMESSA




PLANO DE AULA


1. INTRODUÇÃO

Abrão é chamado de "pai da fé" e "amigo de Deus" porque deixou sua terra rumo ao desconhecido, tornando-se figura central para judeus e gentios. 


Contudo, o Senhor usou o tempo para moldar seu caráter. A promessa divina parecia distante, as circunstâncias não se alinhavam e Sarai, 


vencida pela impaciência, decidiu agir por conta própria ao entregar sua serva a Abrão. Ele, por sua vez, não a lembrou das promessas recebidas. 


Ambos tinham fé, mas precisavam guardar na memória o que Deus lhes dissera. Esse é o segredo para não sucumbirmos na espera e não agirmos por impulso, como fizeram Abrão e Sarai. 


2. APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO

A) Objetivos da Lição: I) Apresentar a tentativa de Abrão em ajudar a Deus; II) Explicar as consequências de agir por conta própria; III) Encorajar os alunos a permanecerem firmes no Deus que conduz a história.

B) Motivação: "Você tem a virtude da paciência?" Em um mundo imediatista e ansioso, muitos agem como Sarai, tentando resolver tudo sem Deus. 


Mas as consequências chegam. No Reino de Deus, não há espaço para o imediatismo: o Senhor governa o tempo. Por isso, devemos esperar nEle e rejeitar toda ansiedade, 


confiando que seus planos são perfeitos e se cumprem no momento certo. A paciência preserva o coração e fortalece a fé em meio às demoras da vida.


C) Sugestão de Método: Para introduzir o tópico, escreva "ansiedade" no quadro e pergunte aos alunos o que essa palavra desperta neles. 


Explique que ansiedade é uma preocupação excessiva que afeta corpo, alma e espírito, trazendo irritação, aceleração do pensamento e desejo de controlar tudo. Sarai, 


diante da longa espera, deixou-se dominar pela ansiedade e elaborou seu próprio plano, gerando consequências para ela e para Abrão. 


A Bíblia nos orienta a entregar nossas inquietações ao Senhor. Conclua lendo Filipenses 4.6,7 e 1 Pedro 5.7. 


3. CONCLUSÃO DA LIÇÃO  

A) Aplicação: Depois de expor todos os tópicos da lição, aplique as verdades estudadas mostrando que não devemos andar ansiosos nem tentar "ajudar" a Deus criando atalhos,


 como fez Sarai. É essencial aprender a esperar o tempo do Senhor, confiando que Ele trabalha mesmo quando não vemos. Devemos manter viva a esperança, 


lembrando que aquEle que prometeu é fiel e cumpre sua Palavra no momento certo, conduzindo-nos com sabedoria e graça.  


4. SUBSÍDIO AO PROFESSOR


A) Revista Ensinador Cristão. Vale a pena conhecer essa revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios de apoio à Lições Bíblicas Adultos. 


Na edição 105, p.37, você encontrará um subsídio especial para esta lição. 


B) Auxílios Especiais: Ao final do tópico, você encontrará auxílios que darão suporte na preparação de sua aula: 1) O texto "Reconhecendo as Promessas de Deus",


 localizado depois do primeiro tópico, vai nos mostrar o que é uma promessa divina para nós; 2) No final do segundo tópico, o texto "Eis que o Senhor me tem impedido de gerar"


 vai nos ajudar a compreender o que significava para a mulher ser estéril dentro da cultura judaica do AT.



COMENTÁRIO


INTRODUÇÃO


Deus fez uma promessa a Abrão, mas o tempo passou, e parecia que ela jamais seria cumprida. Abrão já estava com 85 anos, e sua esposa também já era bem idosa. Então, 


Sarai foi dominada pela impaciência e desejou agir por conta própria. Ela decidiu entregar sua serva a Abrão para que tivesse filhos com ela. 


Ao que tudo indica, o pai da fé e amigo de Deus não consultou ao Senhor, mas deixou-se levar pela impaciência de sua esposa. Todos que são dominados pela impaciência sofrem consequências ruins,


 e com Abrão e Sarai não foi diferente. Nesta lição, meditaremos sobre a sabedoria divina de aguardar com perseverança o cumprimento da promessa de Deus dirigida ao seu povo. 



PALAVRA-CHAVE


Impaciência



I – O PAI DA FÉ E A TENTATIVA DE AJUDAR A DEUS


1. O plano para “ajudar” a Deus. Quando Abrão questionou ao Senhor, dizendo que seu herdeiro provavelmente seria o damasceno Eliézer, seu mordomo, o Senhor lhe assegurou que tal não aconteceria. 


O herdeiro seria um filho seu, de suas “entranhas”, ou seja, um filho natural, nascido do ventre de Sarai (Gn 15.2-4). Mas o tempo passava, os anos seguiam-se, e a promessa não se cumpria. Então,


 sua esposa, observando as circunstâncias desfavoráveis — a idade avançada do esposo e dela e a sua esterilidade — pensou em uma solução humana na verdade um atalho para ver a promessa de Deus sendo cumprida.


 Assim, Sarai sugeriu que Abrão se unisse a Agar, sua serva egípcia, para que dela viesse um filho (Gn 16.1,2). A impaciência tornou-se maior que a fé de Abrão e Sarai.


 O que eles não perceberam é que muitas vezes o Senhor usa o tempo, a espera, para forjar o nosso caráter.  


2. Abrão aceita o plano de Sarai. Abrão estava sendo pressionado. Era a coação da esposa e do tempo, e acabou aceitando a tentativa de Sarai em querer “ajudar” ao Senhor. 


Quando deixamos que a ansiedade e a impaciência tomem o primeiro lugar em nosso coração a nossa fé sucumbe, e acabamos cometendo muitos erros. Temos de seguir o conselho do salmista, 


que afirma que esperou com paciência no Senhor (Sl 40.1).

3. Agar zomba de Sarai. Agar também aceitou prontamente a proposta de Sarai e certamente se sentiu muito honrada. Então, Abrão tomou sua serva, e ela engravidou. Parecia, 


naquele momento, que o plano era perfeito e tudo ficaria bem. Porém, não demorou muito para Agar se levantar contra sua senhora, zombando dela e menosprezando-a (Gn 16.4,5). 


O erro de Sarai trouxe para o seu lar o desprezo, a zombaria e, certamente, a tristeza e a dor.



SINÓPSE I


Abrão e Sarai tentaram ajudar a Deus, pois se deixaram vencer pela ansiedade.



AUXÍLIO TEOLÓGICO


“RECONHECENDO AS PROMESSAS DE DEUS

Para podermos depositar nossa fé nas promessas de Deus é necessário, primeiramente, sabermos o que é e o que não é uma promessa de Deus na Bíblia. Obviamente,


 se aplicarmos como promessa um versículo que, de fato, não é nenhuma promessa, então nossa fé estará deslocada e ficaremos desiludidos quando não virmos os resultados que esperamos. 


Entretanto, não ficaremos desapontados com a Palavra de Deus se a interpretarmos corretamente (2 Tm 2.15) e aplicarmos apenas os versículos que se constituem em promessa para nós hoje. 


Promessas feitas a indivíduos específicos não foram formuladas com a intenção de ser válidas para todos os crentes. Um exemplo disso é Gênesis 12.2. Essa promessa foi feita apenas a Abraão, 


e não aos crentes em geral. Portanto, os crentes de hoje não devem considerá-la como uma promessa bíblica dirigida a eles [...]” (RHODES, R. Livro Completo das Promessas Bíblicas. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, pp.19,20).



II – AS CONSEQUÊNCIAS DE AGIR POR CONTA PRÓPRIA


1. Conflito familiar. Não tardou para as consequências do ato precipitado de Sarai se manifestarem. As primeiras foram a competição e a soberba. 


Agar, a serva egípcia, comportou-se como uma competidora fria e ingrata. Em sua altivez, ela passou a desprezar sua senhora, causando-lhe malestar e trazendo confusão para o clã (Gn 16.4-6). 


2. A fuga de Agar. Agar não se considerava mais serva de Sarai, mas tornou-se sua adversária. Diante da confusão, Sarai cobra de Abrão uma resposta imediata. Então, o patriarca responde: 


“E disse Abrão a Sarai: Eis que tua serva está na tua mão; faze-lhe o que bom é aos teus olhos. E afligiu-a Sarai, e ela fugiu de sua face” (Gn  16.6). 


Agar e Sarai agiram erradamente e sem nenhum sentimento uma pela outra. Podemos imaginar a triste situação de Agar, grávida pela primeira vez, sem experiência, 


sem comida, sem água, solitária e errante pelo deserto.


3. Deus entra em ação. Deus é justo, fiel e amoroso. Ele ouve, vê e responde ao aflito. O Senhor ama a justiça e aborrece a iniquidade (Sl 45.7). 


Depois que Sarai afligiu Agar, esta fugiu e foi encontrada pelo Anjo do Senhor no deserto, junto a uma fonte. Em seguida, Ele lhe perguntou: “Agar, serva de Sarai, de onde vens e para onde vais? 


E ela disse: Venho fugida da face de Sarai, minha senhora” (Gn 16.7,8). Então, o anjo lhe falou: “Torna-te para tua senhora e humilha-te debaixo de suas mãos” (v.9).


 Às vezes, é preciso retornar ao lugar de onde saímos, nos humilhar, pedir perdão e esperar que Deus venha agir em nosso favor. O Senhor tinha uma promessa para Abrão, 


mas Ele não desamparou a serva, que estava em uma situação de vulnerabilidade. O Eterno e justo não age como os homens. Havia também uma promessa para Agar,


Mas ela precisaria retornar e humilhar-se perante sua senhora (Gn 16.10-12).  



SINÓPSE II


O agir por conta própria tem consequências ruins; por isso, espere em Deus. 


AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO



“EIS QUE O SENHOR ME TEM IMPEDIDO DE GERAR 


Era costume entre os povos da Mesopotâmia que a esposa incapaz de conceber filhos obrigasse sua serva a gerar filhos por ela. Os filhos pertenceriam à esposa. 

(1) Não obstante ao costume, não era dessa maneira que Deus pretendia dar a Abrão e Sarai uma família (cf. 2.24). 

(2) O Novo Testamento equipara o filho de Agar a fruto de esforço humano – “segundo a carne”, e não “segundo o Espírito” (Gl 4.29). 


Em outras palavras, somente podemos cumprir os propósitos de Deus se fizermos as coisas à maneira dele – pelo poder do seu Espírito e pela oração” 


(Bíblia de Estudo Pentecostal para Jovens. Rio de Janeiro: CPAD, p. 20).



III – O DEUS QUE CONDUZ A HISTÓRIA


1. O Deus que ouve e vê. Na solene promessa a Agar, o anjo declarou que o menino deveria ter o nome de Ismael, nome dado por Deus. 


Que privilégio!  O significado do nome Ismael é “Deus ouviu”. Agar parecia abandonada e perdida (Gn 16.7-11). Mas Deus se fez presente no deserto,


 viu e ouviu a sua dor. O Eterno agiu em seu favor, e não só em favor de Sarai e Abrão, seu servo. O Todo-Poderoso honrou aquele filho, 


que não era o “da promessa”, mas era filho do amigo de Deus e pai da fé. 

2. Tudo conforme a sua soberana vontade. Nos tempos de Abrão, era comum os homens serem pai mesmo em idade avançada. Ele teve o seu primeiro filho com Agar quando já tinha 86 anos de idade (Gn 16.16). 


Para ele deve ter sido uma experiência muito impactante. E, em obediência ao que lhe dissera o anjo, deu-lhe o nome de Ismael. Mas aquele não era o filho que Deus lhe prometera. 


Ismael era o resultado de um plano traçado entre Sarai e Abrão e que envolvia sua serva egípcia, Agar. No entanto, nada foge aos cuidados de Deus. 

Conforme o anjo falou para Agar, Deus fez de Ismael uma grande nação. Aprendemos por intermédio da vida do patriarca Abrão que Deus governa a história, 


pois Ele é soberano, e os eventos acontecem da maneira como Ele permite. Contudo, Ele intervém diretamente para realizar os seus propósitos, como fez com Agar. 


O Senhor já havia determinado o momento em que o filho da promessa, Isaque, viria ao mundo. Abrão e Sarai não poderiam fazer nada em relação a isso, mas somente aguardar o momento certo de Deus em suas vidas. 

3. O cuidado de Deus em todo o tempo. Quando Sarai tratou severamente Agar, esta fugiu pelo deserto (Gn 16.6). A cena desperta compaixão: quem ajudaria uma serva estrangeira e sozinha? 


Contudo, Deus se revelou a Agar, mostrando que nenhum coração aflito passa despercebido aos seus olhos e que o Senhor vela pelos que sofrem. 


Ele responde e cuida de nós em tempos difíceis e nas aflições quando ninguém mais vê o que nos aflige. 


Nos momentos difíceis que Abrão, Sarai e Agar estavam enfrentando e que em nossa jornada nós também passamos, precisamos orar e confiar em Deus, 


experimentando da sua paz (Fp 4.6,7), obtendo da sua força (Ef 3.16; Fp 4.13) e recebendo a sua misericórdia, graça e ajuda. O Deus soberano, em seu infinito amor, há de nos acolher!



SINÓPSE III


Deus é soberano e Ele conduz a história.



CONCLUSÃO


Os anos passavam, e Abrão e sua esposa ficaram impacientes pela demora no cumprimento das promessas de Deus. Sarai, olhando para sua esterilidade, 


acreditou que poderia “ajudar” a Deus e sugeriu que seu esposo tomasse sua serva, Agar, uma egípcia, a fim de ter filho com ela. Mesmo sendo um homem de fé, 


Abrão aceitou participar do plano de sua esposa. E o “plano” humano deu certo. Abrão uniu-se a Agar e tiveram um filho, Ismael. 


Vimos que as consequências não tardaram e não foram boas. Essa parte da história de Abrão é marcada por erros. O patriarca, 


sua esposa e sua serva erram, pois Deus não precisa de atalho ou da ajuda humana para que seus planos se cumpram. 


Ele é o Senhor que governa a história e como afirmou o profeta Isaías: “Ainda antes que houvesse dia, eu sou; e ninguém há que possa fazer escapar das minhas mãos; operando eu, quem impedirá?” (Is 43.13).

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