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terça-feira, 28 de julho de 2009

A latinha de leite



Um fato real.

Dois irmãozinhos maltrapilhos,
provenientes da favela,
um deles de cinco anos e o outro de dez,
iam pedindo um pouco de comida
pelas casas da rua que beira o morro.

Estavam famintos:

'vai trabalhar e não amole', ouvia-se detrás da porta;
'aqui não há nada moleque...', dizia outro...

As múltiplas tentativas frustradas
entristeciam as crianças...

Por fim, uma senhora muito atenta disse-lhes
'Vou ver se tenho alguma coisa para vocês...

Coitadinhos!' E voltou com uma latinha de leite.

Que festa! Ambos se sentaram na calçada.

O menorzinho disse para o de dez anos
'você é mais velho, tome primeiro...'

E olhava para ele com seus dentes brancos,
a boca semi-aberta, mexendo a ponta da língua.

Eu, como uma tola, contemplava a cena...

Se vocês vissem o mais velho
olhando de lado para o pequenino!

Leva a lata à boca e, fazendo gesto de beber,
aperta fortemente os lábios para que
por eles não penetre uma só gota de leite.

Depois, estendendo a lata, diz ao irmão
'Agora é sua vez. Só um pouco.'

E o irmãozinho, dando um grande gole exclama
'como está gostoso!' 'Agora eu', diz o mais velho.

E levando a latinha, já meio vazia,
à boca, não bebe nada.

'Agora você', 'Agora eu', 'Agora você', 'Agora eu'...

E, depois de três, quatro, cinco ou seis goles,
o menorzinho, de cabelos encaracolado,
barrigudinho, com a camisa de fora,
esgota o leite todo...

Ele sozinho. Esse 'agora você', 'agora eu'
encheram-me os olhos de lágrimas...

E então, aconteceu algo que me pareceu extraordinário.

O mais velho começou a cantar,
a sambar, a jogar futebol com a lata de leite.

Estava radiante, o estômago vazio,
mas o coração trasbordante de alegria.

Pulava com a naturalidade de quem
não fez nada de extraordinário, ou melhor,
com a naturalidade de quem está
habituado a fazer coisas extraordinárias
sem dar-lhes maior importância.

Daquele moleque nós podemos aprender
a grande lição, 'quem dá é mais feliz do que quem recebe.'

É assim que nós temos de amar.

Sacrificando-nos com tal naturalidade, com tal elegância,
com tal discrição, que os outros nem sequer
possam agradecer-nos o serviço que nós lhe prestamos."

Autor Desconhecido


MATEUS: 25.45 Então, lhes responderá: Em verdade vos digo que, sempre que o deixastes de fazer a um destes mais pequeninos, a mim o deixastes de fazer.

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